ESP32 ou ESP8266: qual escolher para o seu primeiro projeto IoT
Os dois conectam seu projeto ao WiFi por menos de R$ 60. A escolha certa depende de três perguntas — e respondemos as três com exemplos práticos.
Publicado em 28 de agosto de 2026 por Administrador Data Frontier · Data Frontier Store
Você quer que o seu projeto mande dados para o celular, acenda a luz pela internet ou registre a temperatura da estufa numa planilha. Para isso existe uma dupla de placas que domina o mundo maker: ESP8266 e ESP32. As duas têm WiFi de fábrica, custam menos de R$ 60 e se programam na mesma Arduino IDE do tutorial de LED.
A pergunta certa não é "qual é melhor" — é qual é a certa para o SEU projeto. Três perguntas resolvem.
1. Seu projeto precisa de Bluetooth?
O ESP8266 não tem Bluetooth. Ponto. Se a ideia envolve conectar no celular sem roteador por perto (um controle remoto BLE, um sensor que o app lê ao aproximar), a escolha já está feita: ESP32, que traz WiFi e Bluetooth clássico + BLE no mesmo chip.
Se é só WiFi — ligar no roteador de casa e conversar com um servidor — os dois servem, e a decisão vai para as próximas perguntas.

2. Quantas coisas você vai ligar na placa?
Aqui a diferença aparece rápido:
ESP8266 NodeMCU — ESP32 DevKit
Pinos digitais utilizáveis — ~9 — ~25
Entradas analógicas — 1 — até 15
Núcleos de processador — 1 (80–160 MHz) — 2 (até 240 MHz)
Bluetooth — não — sim (clássico + BLE)
Preço típico — menor — um pouco maior
Um termômetro WiFi usa dois pinos — ESP8266 sobra. Uma estação meteorológica com cinco sensores, display e relé já briga pelos nove pinos do 8266 (e alguns têm manha no boot: o famoso "liguei algo no D3 e a placa não inicia"). No ESP32, esse teto simplesmente não chega.
A única entrada analógica do ESP8266 é a limitação que mais pega iniciante de surpresa: quer ler dois potenciômetros ou dois sensores de luz ao mesmo tempo? Não dá sem gambiarra.

3. O projeto vai rodar de bateria?
Os dois têm *deep sleep* (a placa dorme e acorda de tempos em tempos para medir e transmitir). O ESP32 é mais flexível nos modos de economia e pode acordar por toque capacitivo ou timer interno com consumo baixíssimo — em projetos de bateria bem otimizados, dura meses. Para regar a horta uma vez por dia medindo umidade, qualquer um serve; para um sensor remoto que precisa viver um semestre com duas pilhas, o ESP32 dá mais margem de engenharia.
Nossa recomendação honesta
- Primeiro projeto da vida, orçamento apertado, uma coisa só para controlar: ESP8266 NodeMCU. Barato, documentadíssimo, faz o essencial.
- Qualquer coisa além disso — ou se você quer UMA placa para crescer junto: ESP32. A diferença de preço é menor que um lanche, e você nunca vai esbarrar no teto no meio de um projeto.
É a placa que escolhemos para o nosso kit de robótica intermediário, justamente porque o aluno sai do carrinho que anda para o carrinho controlado pelo celular sem trocar de cérebro.
Para começar hoje
Os dois se programam igual: Arduino IDE → Preferências → cole a URL do gerenciador de placas do fabricante → instale "esp8266" ou "esp32" → selecione a placa e pronto: o mesmo código do LED que pisca funciona, só mudando o número do pino. No próximo tutorial, conectamos um ESP32 ao WiFi e acendemos um LED pelo navegador — o "olá, mundo" da Internet das Coisas.