Teste de exposição: como acertar o tempo de cura da sua resina
Resina nova na impressora não é chute. Em uma impressão de 40 minutos você descobre o tempo certo e para de perder peça.
Toda resina nova, toda impressora nova e toda troca de temperatura na oficina mudam o tempo de exposição. Quem pula essa etapa passa semanas achando que a resina é ruim quando o problema é meio segundo a mais por camada.
O que o tempo de exposição controla
Cada camada é curada por um flash de luz de 405 nanômetros. Tempo curto demais não cura o suficiente: a peça descola da plataforma, some detalhe, aparecem furos e às vezes só resta uma "panqueca" grudada no FEP. Tempo longo demais cura para os lados também: o detalhe fecha, o furo diminui, o encaixe aperta e a peça fica frágil e escura.
O ponto certo é o menor tempo que ainda dá uma peça sólida e com detalhe.
Como fazer, em quatro passos
1. Baixe um modelo de teste. O mais usado é o Cone of Calibration ou o teste XP2 da Validation Matrix. São modelos que imprimem várias amostras de uma vez, cada uma com um tempo diferente.
2. Comece pelo valor da embalagem. Nossas resinas trazem o tempo sugerido por tipo de impressora. Se for resina sem indicação, comece em 2,5 segundos para LCD monocromática e 8 segundos para as mais antigas de LCD RGB.
3. Imprima e observe. O teste leva de 30 a 60 minutos. Não lave ainda: olhe a peça na plataforma.
4. Leia o resultado. É aqui que a maioria erra, então vale detalhar.
Como ler o resultado
Subexposta: a peça sai mole ou pegajosa mesmo depois de lavada, os detalhes finos somem, as letras gravadas ficam rasas e as pontas ficam arredondadas. Se a peça descolou da plataforma no meio, comece aumentando as camadas de base antes do tempo normal.
Superexposta: os furos ficam menores que o desenho, as letras em baixo relevo fecham, os pinos de encaixe não entram, a superfície fica com aspecto "inchado" e a peça amarela mais rápido no sol.
No ponto: as letras aparecem legíveis nos dois sentidos, o pino entra no furo com atrito leve e a peça soa dura ao bater.
Os outros números que importam
- Camadas de base: de 4 a 6, com tempo de 8 a 12 vezes o normal. É o que segura a peça na plataforma.
- Altura de camada: 0,05mm resolve quase tudo. Descer para 0,03mm dobra o tempo e o ganho só aparece em miniatura.
- Velocidade de subida: reduzir ajuda em peça grande, que faz vácuo contra o FEP.
Refaça quando algo mudar
O tempo certo muda com a temperatura ambiente. A mesma resina que precisava de 2,5 segundos no verão pode precisar de 3,5 no frio, porque resina fria fica mais viscosa e cura menos. Se a sua oficina varia muito, vale refazer o teste na virada da estação, e vale mais ainda aquecer a resina antes de imprimir.
Também refaça ao trocar de lote, ao trocar o FEP e depois de qualquer atualização de firmware que mexa na luz.
Depois do teste
Anote o valor no próprio frasco. Parece bobagem e é o que evita repetir tudo daqui a três meses.
Nossas resinas são calibradas na print farm antes de sair, e o tempo sugerido acompanha o produto: veja a Resina 3D Padrão e a linha de engenharia tipo ABS. Para não perder camada por causa de fragmento solto na cuba, use os filtros de papel.